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MOSAICAHOLIC |
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Detalhes do painel antes da restauração |
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A obra do italiano nascido em Dolceaqua (1937 – 1982), e que passou parte de sua vida no Brasil, foi instalada no portal em 1966. Anos depois foi retirada do local e armazenada. Mais tarde, o painel fixo em fibra de vidro, voltou ao portal de origem, mas a instalação, feita de maneira inadequada tanto na parte estética quanto na base utilizada, deu início à degradação. |
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A restauração exigiu profissionalismo e levou um ano e quatro meses para ser executada. Uma lona montada em frente ao cemitério abrigou a equipe de restauro que trabalhou inclusive domingos e feriados, das 8 às 18h, sob a coordenação de Ângela Damiani, mosaicista responsável, e do arquiteto Roberto Martins, da Arquibrasil Arquitetura e Restauro, empresa que venceu a concorrência da Fundação Cultural de Curitiba para a execução da obra. “O mosaico valioso de Giglio estava tão deteriorado que muitos que por aqui passavam, lamentavelmente, não davam valor”, lembra Ângela. Trabalho pesado. A equipe, contratada por Ângela, teve que ser trocada várias vezes já que muitos não se adaptavam à rotina que o restauro exige. O mosaico precisava ser totalmente retirado da parede e o agravante era o fato de estar em fibra de vidro, material inadequado para ambiente externo. “Bastava um pequeno toque e as pastilhas despencavam, mas como retirar um trabalho deste porte da fibra, sem danificar a obra? Pesquisando, encontrei algumas respostas e decidi fazer um teste”, conta. |
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| Poema de Fagundes Varela (abaixo, à esquerda). Ângela Damiani e Vergínia Bressan |
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Um fato inusitado auxiliou os restauradores. Verginia Bressan, da administração do Cemitério, guardou em copos de plástico as pastilhas que caíram ao longo dos anos. Trabalho fundamental. Todas foram reaproveitadas. Ainda assim, foi preciso recorrer à Pastilhart, empresa de revestimentos, para a compra de novas peças. Entre 30 e 40% das pastilhas utilizadas são novas. O painel de Giglio foi o primeiro restauro em mosaico feito por Ângela Damiani, mas para chegar até aqui percorreu longo caminho. No ano 2000, recém chegada a Curitiba, visitou exposição no Jardim Botânico e adquiriu um vaso em mosaico de Bea Pereira que, em seguida, passou a dar aulas para Ângela. Paixão instantânea. O mosaico passou a fazer parte de sua vida. A profissionalização em restauro fez em Santa Maria degli Angeli, cidade próxima a Assis (Itália), e lá estava quando houve o terremoto que destruiu parte dos afrescos da Igreja de San Francesco onde ajudou a resgatar os pedacinhos. Da Itália para o Brasil fez, no Centro de Cultura Italiana, o curso de restauro com foco em arquitetura e em pedra. Restauros na Praça do Homem Nu e nos leões de louça do Palacete dos Leões, em Curitiba, levam sua assinatura. |
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Fotos: Fábio Floriano e acervo de Ângela Damiani |
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